(via doubtingbelievers)
Chega de morfina!
Eles nos veem dando sorrisos; eles nos veem distribuindo expressões; eles nos veem conversando com outras pessoas; eles nos veem aproveitando a vida; eles nos veem dançando nas festas, mas o que eles não veem diz muito mais sobre nós do que tudo que está - aparentemente - estampado: eles não nos veem buscando por ai, vagando por ai, procurando algo que signifique um pouco mais do que o vazio total, procurando algo que nos faça sentir bem, nossa dose diária - e por que não permanente - de felicidade; eles não nos veem perdidos, desacreditados, confusos; eles não nos veem tentando - ao máximo - não se despedaçar em milhões de pedacinhos; eles não nos veem lutando contra nossas inseguranças, dia após dia; eles não nos veem pensar e repensar dúvidas infinitas sobre todas as coisas do mundo. Já não sei - e nunca soube - se eles não veem porque nós escondemos, envergonhados, aquilo que nos define e que é capaz de representar tudo que somos ou se eles não veem porque simplesmente são incapazes de prestar um pouco de atenção. Acho que é meio que um ciclo: eles não prestam atenção e não descobrem como realmente somos, porque também são pessoas ocupadas demais tentando esconder o que realmente são - nós também somos eles, eles também são a gente. E é assim que caminhamos pela vida sem notar essas pequenas - e muito importantes - coisas, quase como sob uma dose alta de morfina: insensíveis e muito preocupados em diminuir as próprias dores, antes mesmo de saber que o outro sofre dos mesmos males.
No fundo, ainda acredito que se prestarmos atenção nos olhos de uma pessoa por poucos segundos - os poucos segundos que ela pensa que ninguém a está observando - conseguimos captar o que eles não veem, conseguimos, talvez, não definir exatamente o que aquela pessoa é, sente, teme, mas percebemos que tem muito mais dentro dela do que aquilo que ela transparece.
E essa é a beleza: a complexidade das pessoas que sempre são muito mais e têm muito mais história pra contar do que pensamos. É possível tomar conhecimento disso, desde que eles parem de ser indiferentes - só se deixarmos de andar por ai anestesiados.
(via uglys0ul)
(Source: letsbeabeautifuldisaster, via uglys0ul)
(Source: just-red, via this--too--shall--pass)
“I know now, after fifty years, that the finding/losing, forgetting/remembering, leaving/returning, never stops. The whole of life is about another chance, and while we are alive, till the very end, there is always another chance.”
― Jeanette Winterson, Why Be Happy When You Could Be Normal?
(via this--too--shall--pass)
(Source: me1pomene)
Sobre o que não deu certo
Bruto. Incompleto. Duro. Bandido.
É apartamento na escuridão.
Falso. Imperfeito. Vazio. Escondido.
É caminho sem direção.
É coração que uma vez teve vida.
É alma que uma vez teve amor.
É traçar o mapa de uma cidade desconhecida.
Habitada por tanta dor.
Triste. Sério. Amargo. Venenoso.
É tempo que esqueceu de passar.
É tempo que passou rápido demais, teimoso.
É ferida que demora a curar.
É o passado que não deixou de perambular pela memória.
É o futuro que insiste em não chegar.
É a dificuldade de esquecer tanta história.
Que nem o tempo conseguiu matar.
É achar os rabiscos e lembrar.
Sujo. Podre. Decomposto. Imundo.
É não ter voz quando se quer falar.
Sobre as incertezas do mundo.
É canção sem melodia.
Estranho. Violento. Confuso. Perdido.
É solidão a única companhia.
É pensamento exaustivo, repetitivo
Cansado. Abalado. Inútil. Esgotado.
É desitente das esperanças.
É rotineiro e indeterminado.
É descrente da inocência das crianças.
A verdade foi que a vida o moldou assim.
Tentou achar felicidade.
E só encontrou maldades sem fim.
Que o deixaram nessa especificidade.
De ser rígido, louco, sem nenhum sentimento.
Por isso, desistiu da luz e fechou as cortinas do apartamento.
